Dia do Nascimento


Se olharmos para o calendário no exato momento em que um Ser vem ao mundo, em que coloca a cabeça ou qualquer parte do seu corpo fora da barriga da mãe, veremos assinalada uma data. O ser chegou num dia determinado para viver no mundo físico, não que ele já não existisse fisicamente dentro da mãe, durante os nove meses da gestação, é claro, mas no sentido genérico da vida.

Segundo os Kabalistas espanhóis, no momento exato em que o Ser escolhe quem serão seus pais, tem início uma interligação entre eles, que nada mais é do que uma continuidade kármica, boa ou má, que já existia anteriormente. É quando é dada uma nova oportunidade à alma que reencarna. Através dos números e dos astros dos pais, ele se interliga para vivenciar o seu karma, às vezes dentro de um sentido positivo ou negativo. Quando a ligação é grande, antiga, os números e os astros vêm idênticos, até mesmo num sentido também negativo. Algumas vezes é chamado de karmas gêmeos. Segundo ainda aqueles kabalistas, na hora em que tem início o processo de gestação, começa a vida secreta do Ser. Essa hora e dia, que agem secreta e conjuntamente na vida do nascituro, foram escolhidos por ele, mas são velados durante a existência física. O Ser só se lembra deles no momento do desencarne. 

Quando o Ser nasce, o dia e a hora de seu nascimento fazem parte do seu segundo livre arbítrio, que vai aliviar um pouco o primeiro (secreto), já que aquele nós conhecemos e podemos trabalhá-lo. Essa segunda data, que pensamos ser a principal, influi muito, porque é a “desvelada”, como dizemos. Mas todas são importantes. Os tibetanos dizem que “morremos no dia e na hora em que fomos gerados”. A data – dia, hora e ano – traz consigo uma formação de números e astros que trabalham contra e em prol da pessoa, de acordo com a sua escolha. 

Na Árvore da Vida, isso pode ser explicado do seguinte modo: 

Como podemos ver, a criatura que passa pelo Plano Astral, em geral, primeiramente vai para a região densa. Quando se conscientiza, passa para um subplano sutil, embora continue “usando” uma projeção holográfica do seu corpo, já que no astral o mental trabalha liberto. Isso não significa que, estando no astral sutil, o Ser possa se manifestar materializado (aparição de místicos, santos, etc.). 

No momento em que o Ser vai reencarnar, sua livre-escolha vem através de Hod, a sephira do livre arbítrio (deslumbramento), e sua vida realiza-se através de Netzah, a sephira que trabalha o veículo reencarnatório escolhido. A ligação entre Hod e Netzah é o chamado “caminho estreito” do Evangelho, difícil de se passar e de se voltar, dependendo do nosso ponto de vista e evolução. 

O Ser que nasce traz uma personalidade que aflora na sephira Yesod, e que contém toda uma arquitetura pré-fabricada, que é computada através do nome e do dia, hora e data do nascimento. Isso não quer dizer que o Ser seja um boneco teleguiado, dentro do que foi trabalhado e computado. Para isso existe uma coisa chamada “esquecimento”, que permite vivermos uma vida nova sem ficarmos presos a medos ou ditames pré-elaborados.  Mais tarde, quando as coisas são lembradas, é para ajudar, e não para apavorar. 

A persona ocupa um corpo que foi escolhido por ela dentro dos ditames numerológicos, mas obedecendo às leis da Natureza. Esse corpo, além das regras kármicas da escolha, segue também ditames na natureza física do ser em nosso planeta. Ele traz, não apenas no físico, todo um contexto que vem desde o átomo, moléculas e células, e também, seguindo o processo de identidade, desde o Eu atômico-molecular-celular-mineral-animal-humano. A ligação da persona com todo esse contexto ocorre em Malkuth, a vida física planetária. Isso acontece devido à sua herança planetária, por suas vidas aqui vividas, e graças às memórias antigas, que trabalham na formação do corpo. Ao podemos esquecer que nosso Sistema Solar pertence a um Universo que tem como origem o arquétipo Kadmon (ADAM KADMON; é por isso que, segundo os kabalistas modernos, pode haver reencarnações em outros planetas do nosso sistema, e vice-versa). 

Sabemos que cada número, letra e astro estão ligados a uma emanação e a uma vibração, que vão influir na formação do corpo e da nova personalidade do Ser. Quando um mapa numerológico ou astral é feito, resgata-se tudo isso, e podemos trabalhar melhor nossa compreensão de vida. 

O nome é uma coisa à parte, porque não nascemos com ele, como acontece com a data. Mas na verdade, segundo os ocultistas e kabalistas, já o trazemos conosco, porque somos nós também que o escolhemos. Para isso, o mental cósmico influencia o pai, a mãe, ou quem quer que seja, para que um determinado nome seja dado, nem que seja no último momento. 

João Bosco Cavalero Viegas – Fundamentos da Arcanologia Kabalística, páginas 121 a 124, editora Nova Era.

Visite nossa plataforma de cursos online: http://www.desenvolvertalentos.com/instituto-luz-da-consciencia