Medicina e Espiritualidade

Quando vamos a uma casa espírita pela primeira vez, geralmente procuramos o atendimento fraterno, que é um tipo de consulta que fazemos como quando nos dirigimos ao médico ou ao psicólogo. Vamos lá porque temos alguma enfermidade, física ou espiritual.

Após desabafarmos e contar ao atendente sobre nossos problemas, é-nos recomendado que recebamos uma série de passes e que, paralelamente, ouçamos as palestras que toda casa espírita oferece nos dias do conhecido tratamento espiritual.

O uso do nome tratamento, privilégio dos médicos, pode gerar problemas como o do exercício ilegal da medicina, a denúncia de charlatanismo e semelhantes. Por isso quando as casas nos fornecem alguma papeleta com controle dos passes a receber costumam ter anotado que “O TRATAMENTO ESPIRITUAL NÃO DISPENSA O TRATAMENTO MÉDICO”.

Nada mais justo, porque os médicos são uma criação de Deus. Ele coloca nas mãos desses profissionais as nossas vidas e para tanto eles estudam exaustiva e permanentemente, precisando estar atualizados com as novas técnicas e as novas medicações, já que a ciência não para de se desenvolver.

O que não podemos ignorar, no entanto, é que os médicos são também seres humanos, com limitações de poder sobre a vida das pessoas, sujeitos a erros e enganos, por mais competentes que sejam. Nesse caso, a espiritualidade pode ajudá-los, e muito, para que tenham êxito no seu trabalho.

Um exemplo digno de ser mencionado é o que viveu Dr. Eurycledes de Jesus Zerbini, o pioneiro dos transplantes cardíacos no Brasil, técnica que conheceu com o Dr. Christian Barnard, cirurgião sul africano, que fez o primeiro transplante no mundo em 3 de dezembro de 1967.

Publicado por Aníbal Leite de Abreu, sob o título “Dr Zerbini opera assistido pelos Espíritos” no Jornal Espírita, S.Paulo, SP, 05/92) (artigo transcrito do “Anuário Espírita 1993”, pág. 85), o médico narra sua experiência dizendo que dois espíritos médicos, velhos professores, assistiram a uma de suas primeiras cirurgias.

Relata que após perder o filho Eduardo, médico, em trágico acidente no trânsito de São Paulo, mostrou-se adepto do nada e revoltou-se contra Deus.

Posteriormente, após a leitura de O Céu e Inferno, já querendo acreditar em algo, conta que, ainda bem moço, médico recém-formado, precisamente nos últimos anos da década de 1930, trabalhava num consultório em São Paulo, Capital. Certo dia, adentra o consultório um senhor de meia idade, apresentando-se como diretor da revista espírita “A Centelha”.

Dizia o consulente que no Centro Espírita onde ele frequentava, um Espírito havia lhe dito que ele deveria passar por uma cirurgia de hérnia na virilha. O Espírito o advertiu de que no ato operatório o paciente não poderia ser submetido à anestesia tradicional, mas que procurasse, naquela rua, um consultório médico, onde um facultativo, o Dr. Zerbini, havia descoberto um novo processo de anestesia (Protóxido de azoto) que seria naturalmente benéfico e indicado para o seu caso.

Todavia, o jovem médico, na sua humildade, alegou ao consulente que ele era recém-formado e não dispunha de muita prática para realizar a cirurgia solicitada. Mas o paciente insistiu tanto que o doutor acabou por aquiescer ao pedido. Marcado o dia da intervenção e seus detalhes, o paciente tinha um pedido especial a fazer: que na sala de cirurgia fosse permitida a presença de uma senhora (naturalmente uma médium) que deveria ali permanecer devidamente concentrada, orando.

Doutor Zerbini concordou e após o ato cirúrgico dirigiu-se a ela e lhe disse: Desculpe-me, até me esqueci da senhora. Por acaso viu ou notou alguma coisa?

A dita senhora acenou afirmativamente e respondeu:

– Vi sim senhor. Dois Espíritos de médicos à sua retaguarda conversavam sobre o sucesso da cirurgia e comentavam o método usado de anestesia.

Zerbini, curioso, desejando obter maiores informações a respeito do inusitado fato, perguntou à médium: – A senhora poderia me dizer os nomes deles?

– Sim – respondeu a senhora –, um diz chamar-se Batista e o outro, Werneck.

O fato singular é que esses dois médicos desencarnados, quando na vida física, haviam escrito, em parceria, uma obra intitulada: Semiologia Cirúrgica, volume que permanecia na mesa do Dr. Alípio Corrêa Neto, dono do consultório, e que era por ele consultada quase que diariamente.

Os dois médicos eram: Dr. Fábio Leoni Werneck, entomólogo, médico e farmacêutico pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, que trabalhou no Instituto Oswaldo Cruz, tendo publicado trabalhos sobre insetos, e Dr. João Benjamim Batista, médico, professor de técnica operatória e medicina experimental da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

Disse finalmente o Dr. Zerbini que nunca mais entrou numa sala de cirurgia sem convidar os professores desencarnados para acompanhá-lo.

Contado por um dos maiores cirurgiões que o Brasil já teve, com a naturalidade de quem depois de cético passou a acreditar na espiritualidade, o episódio ganha maior valor.

Como dissemos, os médicos são criaturas de Deus e recebem Dele toda assistência para que possam fazer o bem. Se Deus acredita tanto nos médicos pensamos que é hora de os médicos acreditarem em Deus.

O tratamento espiritual da Casa Espírita é um coadjuvante no tratamento das enfermidades. É comum cirurgiões declararem, após certas operações que se apresentavam como muito difíceis, que, surpreendentemente, tudo transcorreu com grande normalidade. Um paciente que faz tratamento espiritual pré e pós-operatório ajuda muito no trabalho dos médicos cirurgiões. 

Neste mês de outubro, quando comemoramos mais um aniversário de nascimento de Allan Kardec, ocorrido em 3 de outubro de 1804, acreditemos que os Bons Espíritos sempre ajudam quando nosso propósito é a prática do bem. Em todas as profissões, inclusive na medicina. É preciso que não haja preconceitos acreditando que isso diminui a competência do profissional.

Octávio Caúmo Serrano [[email protected]]
Fonte: RIE - Revista Internacional do Espiritismo