O Supremo Absoluto e a Mecânica da Criação

O lar do SELF Supremo é o Absoluto, o vazio. Então, depois de longo tempo, esse SELF, situado no vazio gélido, se aborrece e deseja fazer algo. Sendo criativo, Ele quer brincar, visto que não há nenhum trabalho para se fazer lá. Não tem nenhuma companheira e, portanto, começa a brincar com Ele mesmo.

Decide brincar de esconde-esconde, por ser um jogo fácil de se jogar. Ele rapidamente mostra um cobertor feito do estofo do ego. Então, Ele destaca parte de si próprio e cobre-a com esse cobertor de ego, e faz “Uuuh!”. Bem, esse é um jogo muito interessante e agradável. Desse modo, Ele consegue outro cobertor feito da ignorância do Self e com ele envolve o cobertor anterior. Isso parece divertido, para ele, e acrescenta um cobertor do intelecto e da emoção, mais ignorância, e um cobertor físico que é espesso.

Logo, a parte que está toda enrolada na ignorância junto com o ego deixa de reconhecer o SELF original. Ele está tão envolvido com as extravagâncias que há dentro do Seu casulo feito de cobertores que ignora de todo o Seu divertido papel e o esquece. Agora ele está de volta ao nível físico da consciência, a assim chamada realidade física. Não consciente de si próprio, Ele é como o rei da lenda, que se meteu em andrajos e saiu a caminhar entre as pessoas para descobrir afinal a verdadeira vida. Infelizmente, o rei ficou tão envolvido com a verdadeira vida que se esqueceu que era rei. Parece que passou por alguns traumas ao se lembrar do seu verdadeiro status.

E o mesmo se dá conosco. Estamos tão profundamente imersos nessa corrida frenética que quase nos esquecemos o nosso verdadeiro status. Porém, o SELF, no vazio não se esqueceu. Ele continua brincando. De vez em quando Ele levanta os cobertores e diz, “Alô, há alguém aí? – porém, a maior parte do tempo, estamos por demais ocupados para observá-lo”. Entretanto, ele não se esquecerá, e provocará outro estímulo, e outro mais, até que comecemos a reagir. O SELF gostará disso. Ele continuará a nos estimular.

De repente, sentimos estranhas sensações de inadequabilidade. Algo está faltando em nossa vida. Será que esse emprego de 8 horas por dia é tudo o que eu quero fazer na vida? Não há nada além disso? E, assim, começamos a busca. Olhamos para o Oeste e para o Leste. Mais cedo ou mais tarde, as coisas se cristalizam, e nós passamos a trilhar a senda do desenvolvimento espiritual.

O SELF aprecia isso, e continua a nos encantar por sob os cobertores. Mais cedo ou mais tarde, um cobertor da ignorância cai, outro e mais outro. Começamos a receber o conhecimento intuitivo acerca do sistema. A viagem se torna cada vez mais hilariante. Agora, o SELF está realmente feliz, à medida que observa o processo desdobra-se. Por fim, o último cobertor foi retirado, e estamos a encarar o SELF no final do tubo. “Bem-vindo”, diz o SELF, “bem-vindo ao lar”. E você olha para ele e diz, “E quem é você?” – “Bem, diz o SELF, Eu sou você! Não se lembra, seu bobo? Há alguns milhares de anos éramos um só e o mesmo. Começamos a brincar de esconde-esconde, e você se enrolou todo nos cobertores e me perdeu de vista. Mas eu continuei a observá-lo caminho afora”.

Então, um vislumbre de antigas lembranças começa a voltar para você. Você compreende que Ele é você e você é Ele. Dessa forma, você abraça calorosamente o seu SELF – e a busca termina. Agora você sabe que você é o SELF, o Supremo Deus desse sistema. Você também sabe que traz dentro de si o vazio infinito, e que ele contém você. Em resumo, você é ELE! E deu-se a compreensão do Self. Final feliz!

Fonte: “Um Livro Cósmico Sobre a Mecânica da Criação”; Itzhak Bentov; Ed. Cultrix.