ORGULHO, VAIDADE E EGOÍSMO


Humildade é virtude que se alcança pela observação, mais que por doutrinações moralistas. As múltiplas manifestações da natureza, do micro-organismo unicelular ao anjo celestial, são lições profundamente éticas a se aprender.

O ser humano, orgulhoso e egoísta, com toda sua inteligência e as tecnologias que possui é incapaz de produzir uma banana se quer com a mesma textura e sabor que a bananeira faz.

No topo da cadeia evolutiva, a posição humana é resultante dos milênios de sua evolução em que aprendeu a gerenciar um complexo sistema orgânico, o mais evoluído dentre todas as espécies, e de uma inteligência mais elaborada e desenvolvida provida de atributos especiais.

Porém, ao mesmo tempo em que houve uma considerável evolução da inteligência humana, por haver um descompasso em relação à sua evolução moral e ética, surgiu um ego fortalecido e dominador de seus comportamentos. Reflexo disso – orgulho, vaidade, egoísmo.

Tropeçando nas armadilhas de seu próprio ego, este ser que se acha superior no mundo ainda chora rios de lágrimas por suas desventuras e quedas, mas ainda assim não se rende à sua pequenez diante da infinita inteligência divina e prefere lutar, resistir, sofrer a observar que uma formiga também é sua irmã, assim como a barata, o rato, a grama, o arbusto mais simples ou a árvore mais complexa que produz os frutos mais doces e saborosos, ou o animal que lhe serve de luxuosa companhia no lar.

Se o ser humano, em todo seu esplendor de ser a obra máxima do criador, “feito à sua imagem e semelhança”, ainda não consegue produzir uma banana tão bem como a bananeira faz, seria melhor que se recolhesse em sua significância real diante do Criador, em profundo respeito a todas as manifestações dessa infinita inteligência, e não adorasse tanto seu pequeno e orgulhoso ego.

Orgulho e vaidade são os atributos mais sofisticados do ego, que produzem os comportamentos egoístas, que tantos prejuízos causam a todos, de si próprio ao semelhante mais próximo e até o mais distante ser existente no universo de seu alcance.

O ser humano egoísta pensa somente em si, nas suas necessidades e preferências, quer sempre avançar mais depressa porque o seu compromisso é o mais importante, perde totalmente a noção de gentileza, de paciência, de compreensão, de compaixão; o alcance da sua visão vai da ponta do seu nariz até o seu próprio umbigo. Para além disso nada existe para o ser egoísta. Entretanto, quando o fracasso lhe tolhe as pernas do ego (o orgulho e a vaidade), sua queda é motivo de reclamações contra os outros, porque ele, vitimizado pelas circunstâncias não se dá conta que aquilo foi só o reflexo de sua curta visão egoísta.

Humildade, a mais elevada das virtudes humanas, reflete na mente como o espelho da vida, os mais belos pensamentos e sentimentos e o reconhecimento ao sabor doce da banana, e de tantas outras frutas, como algo irrealizável por nós.

Luìz Trevizani – 29/06/2017