Uma Nova Realidade

De repente eclode um movimento revolucionário diferente, de consciência, que não se sabe bem como nem de onde ele surge, nem quem o está organizando e liderando, assusta a todos os desprevenidos do poder, e até mesmo a mídia convencional não sabe bem como lidar com essa novidade.

Ninguém sabe bem do que se trata, apenas que está acontecendo e de maneira inusitada e bem diferente do que já foi visto até hoje. O pretexto inicial parece banal, mas de repente, a uma observação mais atenta se percebe que ele está repleto de propostas e reivindicações justas. Os comentaristas de televisão, especialistas do velho paradigma, não entendem e insistem em querer explicar com argumentos que não se sustentam dentro dessa nova realidade. 

Os movimentos políticos revolucionários sempre tiveram lideranças destacadas, políticos com propostas e discursos prontos, e agora tudo acontece de repente, o povo sai às ruas sem ser convocado pela televisão, pelos jornais e rádios como era antes. Uma nova revolução com uma proposta inovadora, aparentemente sem causa, mas que na verdade é bem articulada e apresenta reivindicações e propostas reais e justas. Um movimento que se recusa aceitar lideranças políticas tradicionais à sua frente, articulado e liderado por grupos de jovens que sabem bem o que querem para a nação e para o mundo. As inovações tecnológicas na área das comunicações, e as redes sociais, são o seu grande trunfo. Políticos tradicionais chegaram a menosprezar esse movimento no seu início, dizendo se tratar de um movimento político pequeno. Agora estão assustados com a sua dimensão e repercussões pelo mundo todo.

São jovens se rebelando dentro das escolas por causa de um sistema de ensino arcaico e ultrapassado, e sendo qualificados, ou diagnosticados pela psiquiatria, também ultrapassada em seus conceitos, como portadores de déficit de atenção e hiperatividade. Nas ruas eles se manifestam de mil maneiras criativas, sem armas, sem violência, com sacadas inteligentes, bem humoradas e irreverentes. E até quando manifestam sua indignação, são criativos e demonstram que é possível mudar o mundo sem uso de armas, sem golpes baixos, sem caudilhismos ultrapassados. Mesmo assim os confrontos violentos com a polícia são inevitáveis, mas eles não são parte do movimento e sim manifestações exageradas de alguns grupos radicais, muitos infiltrados com propósito de tumultuar. Estamos diante de uma ruptura sem dúvida alguma. 

Mas que ruptura será essa?

Certamente há que se mudar de paradigma para entender. O velho e arcaico paradigma materialista e moralista já não serve mais. A propriedade do direito sobre bens e o conhecimento está sendo questionada por essas novas gerações. Os métodos de educação e ensino tradicionais nas escolas está sendo colocado em cheque. Eles querem mudanças sim, mas acima de tudo pedem atenção, aceitação e compreensão para si. São eles que comandarão o mundo daqui há algumas décadas, serão eles os cientistas de amanhã, os professores, os empresários. 

O poder já não pode mais ser exercido como autoridade, mas como serviço e mesmo os governantes eleitos pelo povo terão que consultar a sociedade antes de mudar leis, reformar a constituição e implantar decisões polemicas ou de âmbito maior. Essa ruptura não quebra as regras da moral, apenas faz reformas adequando-a a uma nova ética baseada na consciência de cada um sobre sua própria responsabilidade, individual e coletiva, na condução das nações e do mundo. A nova era se estabeleceu definitivamente e com força descomunal, pegando os desprevenidos de plantão nos governos sem saber o que fazer. 

A sociedade se mobiliza a partir de uma simples questão de aumento de passagens, como está ocorrendo neste momento no Brasil, para por na rua milhões de pessoas com centenas de reivindicações e uma plataforma de ideias e propostas criativas, para uma nova ordem nos governos e na gestão dos recursos públicos. Toda essa mobilização está sendo coordenada a partir de uma nova perspectiva de lideranças, que tem na inteligência coletiva a sua imensa força de mobilização. Não existem líderes individualistas, apenas uma ideia bem sincronizada e uma invejável eficácia na comunicação através das redes sociais e dos serviços de mensagens por celulares. Surge do nada e toma conta de tudo. Parece que a comunicação é telepática. E no fundo é mesmo, pois a sintonia acontece por modulação mental e é expressada através desses novos meios de comunicação.

A nova era vem com um paradigma livre de amarras e controles, onde cada um se tornará responsável por todos, além de si mesmo e de suas necessidades individuais. A coletivização acontece não mais baseada numa ideologia socialista que distribui misérias, mas numa nova ordem que soma as perspectivas de uma vida em comum com um mínimo justo de conforto e dignidade, de escolaridade, proteção e condições para manter uma vida saudável, com justiça e equanimidade para todos. Somos todos um deixa de ser um bordão esotérico sem sentido, para se tornar uma realidade incontestável no mundo de hoje. A consciência se expande na perspectiva do coração, e o amor incondicional, sem discriminações e separatividades passa a ser a nota que tocará a humanidade daqui por diante. Essa nova ordem surge com as novas gerações e encontra ainda muitas resistências na sociedade por parte daqueles que detém os privilégios da ordem antiga. 

Não se iluda pensando que isso vai mudar facilmente e que todos irão aderir à nova ordem. Haverá resistências e tentativas de desmoralizar aqueles que aderirem à nova era, por parte dos detentores dos privilégios atuais. Será necessário manter a chama acesa permanentemente, e, em cada ocasião que surgir sair para as ruas novamente. A força das redes sociais hoje é incontestável, e através delas é possível manter essa chama acesa e mobilizar rapidamente toda a nação e todo o mundo. Aqueles que desejam permanecer deitados no berço esplendido, a velha pátria amada dos caudilhos, que permaneçam se quiserem. São dignos de todo o respeito também. Mas a mobilização daqueles que desejam mudanças e uma nova ordem deve continuar, embora certamente sua vontade não será tão respeitada. Chegou a hora da mudança, chegou a nova era; chegamos e estamos aqui para viver um novo tempo na Terra.

Luiz Antônio Trevizani - 21 de junho de 2013