UMA REFLEXÃO SOBRE AUTOCONHECIMENTO


A natureza humana foi desenhada na mesma prancheta em que toda forma de natureza do planeta foi arquitetada. E toda natureza funciona em plena harmonia e equilíbrio enquanto dependente do determinismo da lei de evolução, porquanto ainda não possui o livre arbítrio. Observe a natureza nos ambientes mineral e vegetal.

Porém, nós humanos, que conquistamos por méritos de evolução o pensamento contínuo e a razão capacitando-nos para discernir e fazer escolhas conforme nos apraz a felicidade, acabamos por escolher um caminho permeado de espinhos que nos conduz a muito sofrimento.

Carecemos de autoconhecimento, porquanto nadamos em majestoso oceano de conhecimentos filosóficos e científicos, que pouco tem contribuído para resolução de nossos problemas de consciência, de relacionamentos, econômicos e sociais e para nossa felicidade.

O problema, no entanto, não está nas filosofias ou nas ciências, mas nos limites que estabelecemos para nós mesmos no cárcere do materialismo, onde atuamos pelo ego cego em busca de vitórias e conquistas sobre os demais, amealhando poder, ganhos financeiros e bens materiais, deixando para trás um rastro de misérias e destruição ao meio ambiente.

A matéria é apenas a ponta do iceberg gigantesco que somos; ela é a minúscula parte visível de nós mesmos e das realidades que vemos e tocamos.

Atuando com sofisticada astúcia no campo da competição, roubamos para enriquecer. Sim, nós roubamos do outro, para nós, mesmo que pelos meios considerados honestos, toda vez que buscamos o nosso bem em primeiro lugar antes de pensar no bem coletivo.

Resistências mentais baseadas em crenças aquilatadas na fé, na religião ou no materialismo, foram desenvolvidas por nós para justificar nossa fragilidade diante do imponderável. Mas nossas resistências são frágeis demais e não resistem ao um vírus se quer.

Nossa mente está conturbada pelo racionalismo materialista, cuja premissa se baseia no egoísmo, na egolatria, no egotismo, no sentimento de autossuficiência cujos resultados são os que se nos apresentam todos os dias nas tragédias diversas pelo mundo.

 

Determinismo e Livre Arbítrio

Se o acaso não existe, sendo ele apenas a nossa incompreensão dos eventos aleatórios, por nossa ignorância relativa às leis que os regem, e que regem a nossa existência, significa que tudo está rigorosamente programado, no macrocosmo e no microcosmo.

 “Mas até os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não temais! Valeis mais do que muitos pardais” – (Jesus por Lucas 12:7).

Estando tudo rigorosamente programado, não subentendamos a isso como determinismo puro.

Toda criação é perfectível, não foi criada perfeita, mas com potencial de alcançar a perfeição por meio da evolução.

Nos minerais e nos vegetais tudo é rigoroso determinismo; não há livre vontade, não há livre arbítrio.

Nos animais, conforme as espécies evoluem começa a surgir o pensamento, descontínuo ainda, como ensaio para o livre arbítrio futuro.

Mas nós, humanos, já nos habilitamos ao pensamento contínuo, ao raciocínio lógico, ao exercício da liberdade e da vontade. Possuímos o livre arbítrio cujo bom exercício depende do esclarecimento, da inteligência, da ética, acarretando em responsabilidades sobre nossas escolhas, em maior ou menor grau conforme é o nível de expansão da consciência da cada um.

No entanto, assim como a ninguém será arbitrado jugo maior do que aquele que pode suportar, igualmente ninguém será isentado de responder por seus atos na mesma proporção do seu nível de consciência e patamar de evolução.

 

Pensamento e Vida

O pensamento como diretor da vida segue a consciência que lhe preside.

“O reflexo esboça a emotividade. A emotividade plasma a ideia. A ideia determina a atitude e a palavra que comandam as ações” – (Emmanuel por Chico Xavier, em Pensamento e Vida).

A mente é o espelho da vida em toda parte refletindo ondas de pensamentos, de emoções e sentimentos, que podem ser organizados e criativos ou caóticos e trágicos, conforme se situa a consciência humana em seu nível de esclarecimentos. E o ser humano tende, ainda, a maior parte do tempo, para considerar e valorizar os aspectos dramáticos e trágicos da vida.

A mente humana resvala por entre as ilusões que assaltam sua inteligência.

“Nos seres primitivos (a mente), aparece sob a ganga do instinto, nas almas humanas surge entre as ilusões que salteiam a inteligência, e revela-se nos Espíritos aperfeiçoados por brilhante precioso a retratar a Glória divina” (Emmanuel por Chico Xavier, em Pensamento e Vida).

Porquanto não assumimos a direção de nosso destino, sob a égide e direção da inteligência superior, seguimos repetindo os mesmos padrões de pensamentos refletidos das emoções, geralmente descompensadas e caóticas, e nossas atitudes nos levam a comportamentos animalizados. Isto é, somos humanos na forma, cultos ou não, mas permanecemos reféns dos instintos e nos comportamos reativamente, como animais, impulsionados por emoções estimuladas pelo medo. Ou então seguimos ao que os outros determinam descaracterizando-nos em nossa individualidade.

Há tanto medo programado nas memórias da mente humana, que é raro se verificar alguém que perceba beleza em tudo, paz e harmonia em tudo, mesmo no caos; que perceba positivamente as oportunidades que a vida lhe oferece.

Luìz Trevizani – 25/09/2017