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Para que serve um extenso currículo acadêmico, se o coração ainda não consegue administrar o sentimento mais puro da generosidade, do amor, da compaixão e da solidariedade? O ser humano orgulhoso, que se identifica com seu próprio status intelectual, sem o sentimento de humanidade que desponta na compaixão, pode usar todo seu conhecimento como arma de destruição da vida.

“Transitando por diferentes níveis de discernimento e de lucidez, a conquista da consciência constitui o grande desafio existencial”. – Divaldo Franco

Nós ainda temos grande dificuldade para falar de Jesus e seus ensinamentos, fora do âmbito das religiões, porque nossa visão está turvada pelos conceitos pré-concebidos nas crenças implantadas e nos dogmas restringentes que assimilamos em séculos de distorções da verdade. Mas Jesus não foi fundador de nenhuma religião, e seus ensinamentos transcendem a qualquer aspecto delimitador que se queira impor a eles.

Nosso senso de solidariedade desperta muito mais nos momentos de sofrimento, de doença ou de tragédia, seguindo a uma lógica estabelecida pelo senso moral. Mas a solidariedade não escolhe momento nem ocasião, porquanto, por trás do sucesso momentâneo se escondem os mesmos motivadores da nossa solidariedade, só esperando pela oportunidade de ser manifestada.

O roteiro da corrupção se estabelece no desejo de se levar alguma vantagem, em qualquer ocasião, no jeitinho de resolver as coisas à margem da lei ou da ética. A sutileza nos surpreende quase sempre em se tratando de nossas atitudes éticas. Outro dia eu conversava sobre ética com uma pessoa, no supermercado, e quando passei pelo caixa me flagrei largando o cestinho na ponta do checkout em vez de recolocá-lo no local onde o peguei. Ato simples, quase nada, mas é um começo de roteiro para a corrupção.

Continuamente, nós fazemos campanhas de combate contra isso e aquilo, campanhas contra a violência, contra a corrupção, contra doenças... Mas tudo o que vai contra encontra a mesma coisa a que se opõe, e as forças opostas se multiplicam na mesma ação em lados opostos. Essas campanhas serão inúteis enquanto não surtirem os mesmos efeitos almejados lá fora, aqui dentro de nós. Seus efeitos positivos lá fora, são mais aparentes que reais; só transferem a ação combatida de um campo para outro campo – moraliza aqui corrompe-se lá, pacifica aqui aparece violência lá, cura aqui adoece lá.