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O roteiro da corrupção se estabelece no desejo de se levar alguma vantagem, em qualquer ocasião, no jeitinho de resolver as coisas à margem da lei ou da ética. A sutileza nos surpreende quase sempre em se tratando de nossas atitudes éticas. Outro dia eu conversava sobre ética com uma pessoa, no supermercado, e quando passei pelo caixa me flagrei largando o cestinho na ponta do checkout em vez de recolocá-lo no local onde o peguei. Ato simples, quase nada, mas é um começo de roteiro para a corrupção.

Nosso senso de solidariedade desperta muito mais nos momentos de sofrimento, de doença ou de tragédia, seguindo a uma lógica estabelecida pelo senso moral. Mas a solidariedade não escolhe momento nem ocasião, porquanto, por trás do sucesso momentâneo se escondem os mesmos motivadores da nossa solidariedade, só esperando pela oportunidade de ser manifestada.

A emoção que abafa a razão é aquela desperta as paixões arrebatadoras e os instintos mais primitivos no ser humano, movendo respostas reativas e impulsivas e ativando o corpo emocional de dor ou alegria conforme o seu padrão e a ocasião. Toda emoção deve amadurecer na razão antes de ser expressada, para dar tempo de equilibrar sua impulsão conforme a situação solicita.

Continuamente, nós fazemos campanhas de combate contra isso e aquilo, campanhas contra a violência, contra a corrupção, contra doenças... Mas tudo o que vai contra encontra a mesma coisa a que se opõe, e as forças opostas se multiplicam na mesma ação em lados opostos. Essas campanhas serão inúteis enquanto não surtirem os mesmos efeitos almejados lá fora, aqui dentro de nós. Seus efeitos positivos lá fora, são mais aparentes que reais; só transferem a ação combatida de um campo para outro campo – moraliza aqui corrompe-se lá, pacifica aqui aparece violência lá, cura aqui adoece lá.

Ética é mais que o assunto do momento, é a questão mais importante a ser resolvida no mundo atualmente. Nossa inteligência teve grande impulso no seu desenvolvimento a partir do último século, o que nos habilitou a receber, desenvolver e fazer uso das mais avançadas tecnologias. Isso implica desenvolver o senso ético para o bom uso dessas tecnologias a serviço do bem e da sustentabilidade da vida humana no planeta.