Amor e Medo

Amor e medo são as duas forças que movem o ser humano; a humanidade. Ou nos movemos pelo amor ou pelo medo, nunca pelos dois ao mesmo tempo. Quando um aparece o outro sai, porque os dois são incompatíveis entre si. Onde há medo é porque o amor deixou de estar; onde o amor entra o medo desaparece. Mesmo que haja amor no ser humano, ao surgir o medo ele se esquece do amor e se fecha em si, tornando-se egotista, com exagerado sentimento de seu eu. 

A diminuta janela do medo, por vezes, torna-se mais poderosa que a imensa abertura do amor a ponto de o ser humano se permitir destruir as suas aspirações mais nobres. Medo é imaginação, por isso, pela sua diminuta fresta tudo o que se vê é muito pouco para ser a verdade, ou mesmo partes dela, e a imaginação nos leva a criar uma realidade compatível com as nossas aspirações egotistas de segurança, desconfiança e proteção.  

Somos muito pequenos diante grandeza e força do amor, que fortalece e engrandece a alma, mas nos tornamos ainda menores diante do medo, que enfraquece e encolhe a alma. Render-se ao amor é uma atitude corajosa de renuncia ao egotismo, e exige confiança absoluta na sua natureza imprevisível. Nunca se sabe onde o amor nos levará. Ele pode transformar toda uma vida, com perdas importantes para o ego que se vê exageradamente confiante em seu sentimento de poder, posse e segurança.  

No medo as atitudes humanas são de desconfiança, prevenção e suspeitas guiadas pelo excessivo egotismo, uma exagerada dimensão de suas necessidades pessoais, e não há confiança nem em si mesmo e tão pouco no outro. Não há confiança na sua capacidade de encarar a vida com amor e se bancar com seus próprios sentimentos. Há uma necessidade constante de apoio e controle.  

O amor é paradoxal, e escapa de qualquer zona de segurança para voar sem limites, mas o ego não suporta tanta liberdade, pois ele representa o eu desejoso de controle. O primeiro amor a despertar no ser humano deve ser o amor próprio. Sem amor por si nenhum ser pode amar a outro. É uma questão lógica, pois o que não se tem também não pode ser compartilhado. A confiança que surge a partir do amor é uma atitude que afiança a capacidade de lidar com todo tipo de sentimentos, sem necessidade de controla-los. Dar vazão ao amor nos conduz a uma atitude elevada de confiança na vida, em nossa grandeza divina e nas leis que regem a física do universo.  

Quase toda humanidade está sob o domínio do medo, por isso, há pouco amor, quase nenhuma confiança e muita maldade no mundo. A maldade surge a partir da ausência de amor. Ela é filha do medo que gera desconfiança, que leva à imaginação suspeitosa, que se enquadra como preconceito. A partir de um conceito préformado, quase sempre enganoso, acontece o julgamento indevido sobre a natureza das coisas. Por outro lado, quando firmado no eixo de seu self, o ser humano rende-se ao amor e então a mente se transforma e surge a percepção do todo antes da necessidade do eu egotista, e um sentimento de gratidão preenche todo seu ser.  

Luiz Antônio Trevizani - 30/10/2011


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