De tempos em tempos surgem gurus carismáticos que lançam modismos, e a multidão os segue e os transforma em mitos. Foi assim que apareceu alguém que, lançando o conceito de "inteligência emocional" faturou alto tanto em consideração e seguidores quanto financeiramente. Não é preciso pesquisar muito para se constatar que o sujeito virou um mito e faturou milhões de dólares com seu livro.

Antes que você jogue a primeira pedra na minha cabeça, por eu discordar da opinião pública e do senso comum, espere eu esclarecer dois pontos importantes – primeiro, eu penso e elaboro minhas ideias, exerço o discernimento pelo pensamento crítico e pela razão, portanto, avalio as ideias e os conceitos antes de acatar; segundo, opinião pública e senso comum são a média da ignorância associada à corrupção da dignidade humana e sua individuação.

Mas o que é então inteligência emocional? – É apenas instinto, ou a “inteligência do cavalo”, comparando nosso mecanismo emocional como o cavalo no qual estamos montados e que nos leva para onde ele quer, e nos derruba quando ele quer, ou nos leva para onde nós queremos obedecendo aos nossos comandos quando ele é bem domado e treinado, pela inteligência humana que está acima do seu instinto. Por analogia, o nosso sistema emocional se parece muito com o cavalo - é força, instinto e pode ser educado. Mas ele, por si só não pode ser considerado como uma "inteligência". 

O conceito pegou e virou modismo, e eu entendo que faz parte do marketing e uma linguagem inteligível aos que prezam mais aquilo que não entendem, talvez por preguiça mental para discernir.  

Mas nós ainda podemos melhorar a comparação se quisermos, entendendo que as nossas emoções são as tintas com as quais nós registramos, na mente, os quadros coloridos das nossas experiências. Ou seja, elas não são a nossa inteligência e não é possível lhes atribuir capacidade de discernimento. Inteligência é a capacidade de escolher entre; é pensar e discernir alcançando a razão, e isso é quase impossível de se fazer quando estamos envoltos por fortes emoções. A emotividade é ação ou reação, qualquer que seja ela depende da razão e sem ela tanto ação quanto reação serão desatrosas. 

A nossa emotividade amadurece na medida do desenvolvimento da nossa inteligência, e esta é o atributo que só o ser humano possui em em grau de discernimento, e se desenvolve junto com a consciência. Com a inteligência e a consciência desenvolvidas, nos capacitamos a dosar as emoções tornando a nossa vida como uma aquarela em paisagens coloridas a enriquecer nossas experiências e nossos relacionamentos.

A inteligência é um atributo do Espírito, e nós a expressamos pelos mecanismos mentais e emocionais que compõe a nossa constituição psíquica, mas ela está graus acima das emoções e do instinto. 

Luìz Trevizani – 07/09/2020
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